domingo, 9 de dezembro de 2012




Todos somos, em algum momento, carentes de pequenas doses de passado. 






Não herdamos somente a cor dos olhos ou o terreno na praia. Herdamos jeitos e trejeitos, modos de pensar e destinos. Podemos nos desligar geograficamente das nossas raízes e até negá-las, mas não podemos jamais arrancá-las. Somos um palimpsesto onde a história dos nossos antepassados se reescreve.




Minha saudade te manda recados. Talvez se afogue, noite dessas, numa taça de vinho tinto ou ultrapasse o sinal vermelho na avenida mais movimentada da cidade. Minha saudade não quer mais viver na poesia, quer morrer nos braços do poeta.





Apagaram-se as estrelas que eu tinha nos olhos quando te via; secou o mar azul que me banhava a cada vez que eu pensava em ti. Hoje, não és sequer o esboço de um poema maculando um papel em branco!




Algumas pessoas nos ensinam; outras nos fazem desaprender todas as flexões do verbo amar...



Dizer adeus é atirar-se de um penhasco e não morrer...
Aíla Sampaio












Deixei para trás o cinza confuso que ficou em mim após a tempestade. Também a bagagem carregada que o sofrimento arrumou para que eu levasse. Larguei pelo caminho as vestes sujas de mágoa, lavei a alma na correnteza do rio esperança e sequei ao vento os meus olhos úmidos ainda daquela dor. Aqui estou, sem passado, de braços abertos para a vida que(re)começa hoje!




Algumas pessoas perdem o viço e apodrecem diante dos nossos olhos, como fruta esquecida na cesta. Desmontam-se como o palhaço que lava o rosto e, com uma lágrima, tripudia das gargalhadas que arranca da plateia.



O medo é um monstro que nós mesmos fabricamos.



Sempre nos refugiamos no passado quando nos falta coragem pra vida... 



Há águas vivas na neve que cobre o meu coração. Queima-me o gelo
do adeus dado contra a minha vontade. Arde ainda a minha mão 
acenando como quem assina uma sentença de morte.



Agora que as águas turvas do silêncio escorreram e a correnteza levou os nossos remos, naveguemos na insensatez do rio. Quem sabe a incerteza seja o afluente que nos levará à terra prometida!





Preciso das pequenas felicidades suspensas no tempo: o barulho da chuva no telhado, o miado do gato dentro da noite, os olhos no sangradouro do rio, a fartura de flores no jardim e nos pensamentos orvalhados a qualquer hora do dia.Preciso daquela paz das nascentes, dos pés nos olhos d'água, da rede sob as árvores do quintal. Preciso disso tudo nesse futuro árido que eu não adivinhei.



Essa aspereza que às vezes te arranha é a falta do olhar aveludado que lançavas sobre mim...



A felicidade deveria ser vitalícia!



Quando tentamos muito convencer alguém de alguma coisa e não conseguimos,resta-nos, por questão de bom senso, nada mais fazer... Vontades, como amor, é um estímulo  natural, jamais pode ser mendigado ou imposto.




Fazer o quê quando a vida desfaz a manta que vínhamos tecendo com tanta dedicação?! 



Não herdamos somente a cor dos olhos ou o terreno na praia. Herdamos jeitos e trejeitos, modos de pensar e destinos.Podemos nos desligar geograficamente das nossas raízes e até negá-las, mas não podemos jamais arrancá-las. Somos um palimpsesto onde a história dos nossos antepassados se reescreve. 





 

De vez em quando, uma tristeza sorrateira pesa as nossas pálpebras e torna turvo o horizonte, como se a vida cobrasse o preço pelo que não realizamos, pelo que permitimos acontecer ou não acontecer, pelo que queríamos que fossge diferente. Nada, entretanto, modifica o que passou... Lamentar só lacera ainda mais o corpo e a alma. Se os fatos foram contrários à nossa vontade, só nos resta mudar a sintonia, desviar os pensamentos e seguir em frente com a certeza de que tudo foi como deveria ter sido! O melhor, não duvidemos, está por vir.




Se a vida é cíclica e a gente começa sabendo que um dia tudo acaba, por que no fim, em vez de desesperarmos, não podemos acreditar que tudo recomeça?




Em alguma esquina da vida, a ingenuidade se confunde com burrice. 






As palavras dizem, mas são as atitudes que realmente dão validade a elas.




 É com palavras que ergo as paredes da nossa casa. Só no poema é possível vivermos juntos para sempre... 



A minha memória de vez em quando acorda fora de hora e remexe em seus guardados. Lembranças desbotadas furam a tela encardida pela saudade e trazem de volta os fantasmas aprisionados pelo tempo.Será que nunca aprendo que o passado é uma caixa que deve permanecer fechada?



Beija a minha boca urgentemente. Essa é a única forma de calar a saudade que grita de dentro de mim, como um animal querendo libertar-se do cativeiro.






Bandeira branca a meio-palmo, marcando passo para uma guerra... Cada palavra pode ser um beijo ou uma farpa. No olhar, amor e ódio anunciam uma paz armada.





Perder quem amamos é perder-nos. Não ter mais identidade nem destino; rasgar os calendários e quebrar os relógios e as bússolas interiores.É mutilar-se; atravessar cercas de arame farpado, arrastar pesadas correntes, subir no cadafalso e desejar a guilhotina não sentenciada. 





Amor, amores... sempre o mesmo e tão diferente, me dando saudades tantas e tontas,  fazendo a mesa, desarrumando a cama, derrubando a casa. Amor, amores...  diferente, mas sempre o mesmo, como se o tempo não tivesse passado nesses anos todos em que ficamos distantes. 




Quando os silêncios falam mais alto que as palavras
não vale a pena ouvir o que os dois têm a dizer. 

Aíla Sampaio

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Lei de sobrevivência emocional: não alimente sentimentos por quem te deixa morrer à míngua.
 



O mais cruel despojo do amor que finda não é a mágoa... é a indiferença.



Certas dores não passam com analgésico; somente cessam com abraços.
 
 


Sou mesmo a casa do inesperado: quase tudo mora do lado de fora dos meus planos e
 acontece à minha revelia.
 
 

Foi quando te perdi que me ganhei de volta...
 


Venho adiando algumas coisas para ver se não acontecem... Tenho deixado outras para amanhã, esperando que aconteçam no tempo certo.
 


Às vezes sinto uma vontade enorme de desistir da literatura,
de esquecer a que vim ao mundo, desconhecer as subjetividades e nascer de novo, com o HD reformatado apenas para as coisas práticas da vida.
 
 

No momento em que encontramos a pessoa certa, entendemos porque todas as outras que passaram antes pela nossa vida eram as erradas.
 
 

Fecha os olhos e inicia o  percurso do meu corpo pelo teu... somos parte um do outro, metade inteira de um todo indivisível.
 


 Na escuridão, tateei teu nome em minha memória mas só encontrei rabiscos ilegíveis da tua passagem pela minha vida. 
 
 
Acordei com saudade, imensa saudade de momentos, de pessoas, de cheiros e sons, saudades que não podem ser contabilizadas no tempo nem minimizadas, tampouco exorcizadas. Esses reveses da memória reacendem lampejos do que ficou pelo caminho, do desperdício de vida com as tantas perdas, da minha inabilidade sempre com os sentimentos... Prefiro acreditar que o destino se cumpriu, e que não poderia ter sido de outro jeito, a alimentar culpas que só trariam de volta a sensação de fracasso e impotência.




Por que será que somos tão resistentes a largar os sofrimentos e insistimos em trazer para o presente o que só faz sentido no passado? Haverá, em nosso inconsciente, algum receio da felicidade ou tudo se pontencializa no medo de ter e  perder?
 

Só encontro a realidade através do sonho.
 
 

Teu maior defeito é viver longe de mim, não fazer nada contra a incomunicabilidade dos nossos corpos...
 


Mágoas são despojos de guerra... Guardá-las é contaminar-se com lixo radioativo!
 


Não adianta definir o amor ou conjecturar sobre... Ele sempre nos surpreende quando chega, jogando no chão toda a nossa teoria.


 


Basta um olhar teu para que a minha alma abra todas as suas janelas e pinte o coração de verde-esperança... 
 


Eu te esperei como uma criança faminta, como alguém que não sabe o que fazer sozinho para matar a fome. Eu te esperei quase com desespero, porque sabia que há muito o relógio havia parado para nós dois, mas não conseguia deter os ponteiros acelerados do meu desejo. Eu te amei com desejo de morte, pois sabia, de antemão, que nunca mais encontrarias o caminho que te levaria a mim.



Há rios que deságuam em mim, silenciosos como lágrimas; há correntezas a céu aberto escrevendo manifestos à natureza para que o nosso amor floresça, apesar do sol intempestivo e da falta de rega.
 

O mesmo tempo que acomoda as dores enterra as esperanças. A mesma mão que acaricia é capaz de uma agressão. A mesma boca que jura amor silencia sua indiferença. Tudo é circunstancial, cruelmente circunstancial.
 
 
 
Ou estabelecemos limites de velocidade para a nossa corrida contra o tempo ou seremos atropelados por ele. No ritmo de competição insandecido em que vivemos com as horas, deslizando cegos sobre os ponteiros do relógio, do momento que passa não ficará sequer a lembrança de tê-lo vivido.
 
 

Eu queria saber menos da vida, para poder errar mais; eu queria sentir menos, para doer menos, queria ter menos talento para os remendos. Eu queria encontrar o equilíbrio entre o menos e o mais, entre o lento e o fugaz; não gostar de café fumegando nem de afundar o pé no acelerador da vida. Eu queria ser menos um pouco mais. Essa intensidade sem trégua provoca curto-circuitos diários em meu coração.



O mundo tem a cor dos olhos que o veem
 


Seguir, seguir sempre em frente, sem olhar para trás, sem lamentar o perdido. Enquanto não impetrarmos uma ação de despejo no passado, enquanto não desocuparmos o coração, nos desfazendo das esperanças caducas, não receberemos as dádivas do presente!