quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Lei de sobrevivência emocional: não alimente sentimentos por quem te deixa morrer à míngua.
 



O mais cruel despojo do amor que finda não é a mágoa... é a indiferença.



Certas dores não passam com analgésico; somente cessam com abraços.
 
 


Sou mesmo a casa do inesperado: quase tudo mora do lado de fora dos meus planos e
 acontece à minha revelia.
 
 

Foi quando te perdi que me ganhei de volta...
 


Venho adiando algumas coisas para ver se não acontecem... Tenho deixado outras para amanhã, esperando que aconteçam no tempo certo.
 


Às vezes sinto uma vontade enorme de desistir da literatura,
de esquecer a que vim ao mundo, desconhecer as subjetividades e nascer de novo, com o HD reformatado apenas para as coisas práticas da vida.
 
 

No momento em que encontramos a pessoa certa, entendemos porque todas as outras que passaram antes pela nossa vida eram as erradas.
 
 

Fecha os olhos e inicia o  percurso do meu corpo pelo teu... somos parte um do outro, metade inteira de um todo indivisível.
 


 Na escuridão, tateei teu nome em minha memória mas só encontrei rabiscos ilegíveis da tua passagem pela minha vida. 
 
 
Acordei com saudade, imensa saudade de momentos, de pessoas, de cheiros e sons, saudades que não podem ser contabilizadas no tempo nem minimizadas, tampouco exorcizadas. Esses reveses da memória reacendem lampejos do que ficou pelo caminho, do desperdício de vida com as tantas perdas, da minha inabilidade sempre com os sentimentos... Prefiro acreditar que o destino se cumpriu, e que não poderia ter sido de outro jeito, a alimentar culpas que só trariam de volta a sensação de fracasso e impotência.




Por que será que somos tão resistentes a largar os sofrimentos e insistimos em trazer para o presente o que só faz sentido no passado? Haverá, em nosso inconsciente, algum receio da felicidade ou tudo se pontencializa no medo de ter e  perder?
 

Só encontro a realidade através do sonho.
 
 

Teu maior defeito é viver longe de mim, não fazer nada contra a incomunicabilidade dos nossos corpos...
 


Mágoas são despojos de guerra... Guardá-las é contaminar-se com lixo radioativo!
 


Não adianta definir o amor ou conjecturar sobre... Ele sempre nos surpreende quando chega, jogando no chão toda a nossa teoria.


 


Basta um olhar teu para que a minha alma abra todas as suas janelas e pinte o coração de verde-esperança... 
 


Eu te esperei como uma criança faminta, como alguém que não sabe o que fazer sozinho para matar a fome. Eu te esperei quase com desespero, porque sabia que há muito o relógio havia parado para nós dois, mas não conseguia deter os ponteiros acelerados do meu desejo. Eu te amei com desejo de morte, pois sabia, de antemão, que nunca mais encontrarias o caminho que te levaria a mim.



Há rios que deságuam em mim, silenciosos como lágrimas; há correntezas a céu aberto escrevendo manifestos à natureza para que o nosso amor floresça, apesar do sol intempestivo e da falta de rega.
 

O mesmo tempo que acomoda as dores enterra as esperanças. A mesma mão que acaricia é capaz de uma agressão. A mesma boca que jura amor silencia sua indiferença. Tudo é circunstancial, cruelmente circunstancial.
 
 
 
Ou estabelecemos limites de velocidade para a nossa corrida contra o tempo ou seremos atropelados por ele. No ritmo de competição insandecido em que vivemos com as horas, deslizando cegos sobre os ponteiros do relógio, do momento que passa não ficará sequer a lembrança de tê-lo vivido.
 
 

Eu queria saber menos da vida, para poder errar mais; eu queria sentir menos, para doer menos, queria ter menos talento para os remendos. Eu queria encontrar o equilíbrio entre o menos e o mais, entre o lento e o fugaz; não gostar de café fumegando nem de afundar o pé no acelerador da vida. Eu queria ser menos um pouco mais. Essa intensidade sem trégua provoca curto-circuitos diários em meu coração.



O mundo tem a cor dos olhos que o veem
 


Seguir, seguir sempre em frente, sem olhar para trás, sem lamentar o perdido. Enquanto não impetrarmos uma ação de despejo no passado, enquanto não desocuparmos o coração, nos desfazendo das esperanças caducas, não receberemos as dádivas do presente!



Criamos laços que se atam e se desfazem no tempo. Vivemos diásporas, despreparados para as perdas e para os ganhos,  tudo aos solavancos; tudo em meio aos movimentos  que propiciam os desentendimentos, os desencontros, as sombras traiçoeiras das discórdias e da fata de paz exterior e interior. É difícil entender que a vida seja um campo de batalha onde se usam todos os tipos de arma para a defesa e o ataque; é difícil entender que haja razões para a infelicidade e que o nosso destino seja perder as pessoas que amamos. Sofremos e fazemos sofrer, pisamos em pedras, espetamos os dedos com espinhos quando queremos colher uma flor. Penso que esse é mesmo um planeta de expiação e que a felicidade é um intervalo milimétrico apenas, uma pausa para a respiração natural, que logo volta aos tubos de plástico. Afinal, qual o sentido disso tudo? Por que a harmonia individual e coletiva não pode ser a bandeira desfraldada em nossas almas? O que falta à humanidade para a compreensão de que estamos no mundo para ser feliz? 



Aceito a dor e todos os presságios de morte em vida. Aceito a mágoa, para diluí-la no tempo, e a inércia da indecisão que nos estanca entre o ir e vir... Tudo o que dói movimenta, impulsiona, ainda que dilacere. O que jamais aceito é a capa preta da indiferença e seu fardo de vazios impedindo a passagem e estancando a seiva.





Guardamos tranqueiras no pensamento; guardamos roupas que não mais nos servem e gavetas cheias de papéis sem utilidade; guardamos caixas de lembranças e mágoas que corroem a cor do nosso horizonte. Prendemos-nos a fiapos de esperanças e caducamos com as migalhas de amor que nos arremessam...  Depois choramos o leite derramado, a oportunidade desperdiçada, a solidão desenhada em rústicos traços cavados em nosso rosto, sem querer entender que passamos a vida cultuando sofrimentos e alimentando dores, como se a nossa existência não tivesse outra finalidade senão as miçangas a que nos apegamos.





Nosso amor, barco à deriva, naufragou num mar de desilusão... 





Tudo o que vai um dia volta... não quando queremos, mas quando estamos preparados para entender sem que haja explicações.






Sem as vestes da ilusão, vejo teu olhar, que era de mar e vida,  como um crepúsculo sombrio.






Nosso 'nós' não é apenas um pronome pessoal, é um abraço de individualidades.



Amar-te foi deitar-me nos trilhos à espera do trem. 


Deixo-te o meu silêncio embrulhado na mais vitoriosa indiferença.


Quando eu te esquecer, certamente terei perdido o caminho que me levava a mim.


A primeira providência quando nos separamos não foi a assinatura de papel nem a missa em ação de graças, foi a reposição dos livros que exigiste na separação dos bens.


Aos poucos, fui sentindo desbotar o cheiro azul de mar que atravessava as minhas lembranças. Fui te esquecendo gradativamente como quem desce uma escada íngreme para nunca mais subir! 




quinta-feira, 1 de novembro de 2012


Enquanto lamentamos o passado ou planejamos o futuro, a vida acontece à nossa revelia. Não percamos as rédeas do nosso destino, façamos do presente o nosso melhor presente. 


Viver é equilibrar-se na corda bamba da
incerteza entre o para sempre e o nunca mais.


Que importa a extensão desmedida de terras e mares a nos seprar, se não há lonjura entre as minhas vontades e os teus desejos?

Como frutas que apodrecem, tecidos que esgarçam, as palavras sofrem a ação do tempo. Mensageiras  de enganos e certezas, são servas do vento, sempre voam.

Amor é o que lateja mas não dói; o que desassossega sem tirar a paz; o que dá cor à tela cinza da vida e borda os nossos sonhos com esperanças de realidade.



Quando amanhece, pensamentos mal comportados atravessam o Atlântico; versos assimétricos saltam das pontas dos dedos, a manhã reverdece esperanças dormidas em catres escuros... e a vida segue independente dos ônus ou dos bônus que se acumulam dia após dia.

Tenho procurado olhar para as coisas sem emotividade, sem racionalização, para vê-las sem austeridade e sem roupa de festa, sem nada que lhes contamine com o meu olhar de paixão ou desdém. Não quero mais castelos nem taperas vestindo a minha imaginação; quero a nudez da realidade e sua caixinha de surpresas armando o imprevisível.
Se me fosse dada uma varinha mágica, faria outro enredo para a humanidade; apagaria todas as páginas de algemas, de catres e porões, e escreveria uma história em que a liberdade fosse uma lei irrevogável. 

O que as mãos não alcançam o pensamento desenha com o traço desassossegado da saudade que se renova dia após dia... 

São muitos a nos indicar os caminhos, são inúmeros os que nos apontam trilhas e sugerem desvios, mas sempre pagamos sozinhos o preço da escolha feita.


Necessito das palavras para despir os meus silêncios.
Lâminas cortantes ou unguentos que saram, são elas  a vestimenta das histórias, o vento que leva toda mágoa ou o anjo que anuncia as boas novas.