sexta-feira, 6 de abril de 2012

Quase sempre amanheço no meio da noite sem sequer ter dormido. Não há barulho na rua, mas há ruídos por dentro, cárceres tão privados que só os pensamentos ousam entrar. Tantas vontades jogadas pelo ralo, desperdício de afetos enviados a destinatários inaudidos, senão malditos pela sina do coração encouraçado. Quem sabe o que faz o medo do amor é o sofrimento insuportável. Cada um sabe dos seus calabouços e do peso da própria alma. Ainda na distância, esqueço a carta devolvida com o carimbo de 'endereço errado' e penso nele, visto-o com palavras e desenho o dia de sol ainda que chova. É assim o amor, um soco na razão. Explicar se há escolha? Quem há de...?
AílaSampaio
Ele passa os dedos em meus cabelos como quem penteia vontades insussurráveis antes da meia-noite. Gosto desse passeio dos nossos olhares que se encontram em silêncio, das surpresas do destino que me fazem íntima do inesperado... Renascemos em nós mesmos quando nos permitimos nascer no outro, sem medo da felicidade que até pode nem alcançar a luz do dia, mas nos alcançou antes de nos perdermos em nós mesmos.
AílaSampaio

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Meus textos não são autobiográficos...  sou só o ponto de partida; o resto são ilações, projeções, distensões de um cérebro que não dorme nem durante o sono.
AilaSampaio

Ela não espera nem desespera. Vive um dia de cada vez, com seu quinhão de açúcar e de sal. Poesia é só seu interlúdio... o ópio diário que lhe ajuda a suportar-se a si e ao mundo que não lhe cabe.
AilaSampaio

Não jogo mais o cabelo pro lado esquerdo nem pinto a boca de nude pra não manchar a tua camisa...  tudo esgarçou feito tecido vagabundo. Agora só uso cabelos curtos e  batom vermelho pra espantar os pensamentos sem cor que ficaram.
AilaSampaio

sexta-feira, 30 de março de 2012

Amor tem que ser laço, nunca nó. Não que tenha que desmanchar quando convier, mas que não seja difícil de desatar quando necessário...
Aíla Sampaio



Ficou muito de ti em mim depois daquele abraço: um cheiro molhado de ervas frias e o brilho do teu olho me virando pelo avesso; o desenho do teu corpo e sua pulsação, o calor da tua pele. Ficou também muita dúvida, tanta entrelinha e silêncio, que resolvi desarrumar a memória e convencê-la de que alguns momentos só fazem sentido quando apagados. O que eu trouxe, aos poucos, fui devolvendo, como um pacote que se deixa na portaria do prédio, para não ter o pretexto de olhar dentro dos olhos outra vez e enxergar o que nunca deveria ter acontecido. Nem importante nem desimportante lembrar... apenas desnecessário.
Aíla Sampaio




Verbo para aprender a conjugar hoje: ESPERAR
Substativo da vez: PACIÊNCIA.
Aíla Sampaio

quinta-feira, 29 de março de 2012

 

Ele me trouxe um canteiro de tulipas vermelhas pendurado em seu sorriso... impossível não colher felicidade em sua companhia!

Aíla Sampaio 

 


O AMOR entre duas pessoas não é uma via de mão dupla, mas duas vias de mão única que seguem a mesma direção independentes uma da outra.

Aíla Sampaio 

Sou fatalista por convicção e experiência: é preciso deixar ir o que tem que ir para que possa chegar o que deve chegar. Podemos nos rebelar ao destino, por medo ou comodismo, mas não podemos apagar o que está escrito e é inexorável. Desviar o caminho só alonga o percurso e adia a chegada. 

Aíla Sampaio