terça-feira, 2 de outubro de 2012

Sonho muito e bem alto. A minha cabeça vive nas nuvens, mas os meus pés... ah, os meus pés nunca saem do chão.
Aíla Sampaio



Eu o amei até a última possibilidade de ser feliz sozinha em companhia de alguém.  
Aíla Sampaio  


De vez em quando devemos soltar as rédeas da razão e seguir o coração, sem medo das consequências...
Aíla Sampaio

O teu amor é um escudo contra todas as vicissitudes da vida.
Aíla Sampaio
 

Estamos em conflito eu e as minhas vontades: Eu, com o escudo da razão sempre a defender-me dos grandes riscos; as minhas vontades a atirarem-me às aventuras e seus sedutores abismos.
Aíla Sampaio
 
 
Eu ainda acredito no amor que  atravessa oceanos e diferenças, que dispensa explicações e se faz certeza, a despeito do tempo, da distância, das dádivas e das dúvidas que possam ameaçá-lo.
Aíla Sampaio


Ele  me olha feito ave voando, esquecido de angústias e preguiçoso para as tristezas.

Aíla Sampaio


O arco-íris que desenhas no céu com o teu sorriso muda o meu rumo, aponta outra estrada; dá cor aos meus dias mais banais, sem que seja preciso uma palavra.
AílaSampaio



Nunca mais seremos Nós, apenas Eu e Tu, dois pronomes inconciliáveis cuja sede não pode mais ser saciada pela mesma água.

Aíla Sampaio


As mulheres apaixonadas andam sempre distraídas. Um dia, perdem o brinco, noutro esquecem o batom, até deixam o sentimento tomar-lhes a direção sem medo ou precauções, sem a memória de decepções passadas ou receio de inglórias futuras. A lembrança de um abraço, a recomposição de uma frase dita, o cheiro ainda da pele, o gosto da boca, os resquícios todos do outro fazem o olhar delas vagar no sorriso nada gratuito dos que são felizes e sabem bem por que.

Aíla Sampaio


Se você deixa ir, esteja preparado para nunca mais ter de volta...
Aíla Sampaio

De ti eu queria somente amor. Nem casa, nem comida nem roupa lavada. Só amor e seu kit sobrevivência: consideração e cumplicidade, pacote bem pesado pra quem a vida toda só teve vontade de si mesmo.
Aíla Sampaio


Descaso e desinteresse são termos intercambiáveis, que fazem o eufemismo mais curel do chega-pra-lá. Não há subjetividade nem poesia que predisponham outra interpretação para as ausências prolongadas e silenciosas.
Aíla Sampaio

O meu coração  jamais deixa portas entreabertas... não há caminho de volta para quem sai dele. 
Aíla Sampaio

Esperar é um verbo muito cansativo, nunca aprendi a conjugá-lo em todos os tempos!
Aíla Sampaio

Vou dizer que não te amo mais e que o nosso tempo já passou. Vou dizer que não acredito em almas gêmeas nem em amores eternos, pois preciso me convencer de tudo isso antes que tu venhas a acreditar que tenho razão.
Aíla Sampaio


É inevitável tropeçar nos enganos e sofrer decepções, quando acreditamos no que nos dizem e nos impedimos de ouvir tudo o que for contrário ao que queremos que seja verdade . É perfeitamente evitável, porém, a reincidência no mesmo erro, quando já nos feriram e nos fizeram chorar sobre as ruínas das nossas crenças. Podemos nos machucar uma vez, equivocados e confusos com as dádivas que não percebemos futuras dívidas. Permitir, todavia, que nos machuquem com as mesma armas com que já nos atingiram é falta de amor próprio.
Aíla Sampaio


Quando se avolumam as perguntas sem respostas, devemos ficar quietos, com o coração em standy by, como quem aguarda o sinal verde para atravessar e espera desprenciosamente o mundo dar as suas voltas. 
Aíla Sampaio
 
 
Não sou de entrelinhas. Gosto das verdades legíveis como um carimbo; das palavras sem enganos. Subtextos e atitudes indecifráveis só na literatura e no teatro. A vida requer clareza.
Aíla Sampaio
 

Com o tempo, o vinho pode apurar-se ou simplesmente virar vinagre.O destino dele depende apenas da temperatura, da umidade e da intensidade de luz em que foi guardado. Assim também o amor precisa de certos cuidados para não oxidar por descuido ou falta de aconchego.
Aíla Sampaio


De repente o que era tão importante já não é; o que fazia diferença já não faz; o que movia os ponteiros do nosso relógio interior já não os move, como se o tempo tivesse estancado o que foi para não mais ser. De repente, a vida acrescenta personagens à nossa história, retira outros, alterna posições e remaneja sentimentos, ora nos satisfazendo, ora nos contrariando, mas sempre movimentando a engrenagem e guardando as explicações para  bem depois. 
Aíla Sampaio
 

O devedor quase sempre constrange o credor, ao mudar de calçada pra não dar satisfações da sua dívida; até se intriga, invertendo os papéis. Pois bem, também eu fico constrangida quando, sabendo a verdade, empresto minha credulidade a uma pessoa e a escuto mentir com a segurança de quem está sendo convincente.
Aíla Sampaio
 

O que passou já não conta, já não importa. Quando as lembranças querem vir, ameaçando ressurreição de mortos, finjo que não é comigo.
Aíla Sampaio
 

Se era tanta a certeza de que não daria certo, a ponto de dar um basta e desistir, por que suspirar ainda?
Aíla Sampaio

Não erro nunca o nosso amor... posso escrevê-lo de olhos fechados, sem deixar espaço em branco ou pular linhas.
Aíla Sampaio


Quando tiro uma pessoa da minha vida, deleto todos os registros de sua passagem pela minha história. Simplesmente ela não conta mais, não interessa, qual um papel amassado e jogado na lixeira.
Aíla Sampaio

sexta-feira, 14 de setembro de 2012



Cansei das ilusões, mesmo com o seu sedutor arco-íris de possibilidades. Escolho a realidade, ainda que as suas certezas só pintem a vida em preto e branco. Redescobrir as cores no cenário gris da desilusão será sempre o nosso maior desafio. 
Aíla Sampaio 


Nada é mais desgastante do que a espera pelo que não vem, sem a consciência dessa fatalidade. É muito íngreme e longo o percurso até a perda total da esperança.

Aíla Sampaio



Quando se nasce com a alma nua,credencia-se inevitavelmente um destino de dores. Não há unguentos nem orações capazes de garantir proteção, mas pode-se tomar cuidados para minimizar a intensidade dos golpes: não permitir a roupa pesada do desamor, evitar o vento encanado das ausências prolongadas (veladas pelo silêncio), desisistir do que inquieta o sono. Sem essas precauções, vive-se como quem, em carne viva, se expõe permanentemente ao sol de meio-dia.

Aíla Sampaio  

O silêncio é uma palavra muda, mas prenhe de significados.

Aíla Sampaio  
 

Às vezes é preciso ir embora,  abrir mão de alguns sonhos, colocar os pés no chão e seguir em busca do horizonte possível. Às vezes é necessário deixar sangrar a ferida, não fazer curativos, não mascarar a dor com analgésicos. É, por vezes, inevitável morrer um pouco para redescobrir a vida. É tão óbvio e não vemos: só quando nos perdemos é que podemos nos encontrar.

Aíla Sampaio  
 

"Quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor" (Fernando Pessoa). Não existe parto sem sofrimento nem revolução sem sangue. Todo ideal pressupõe luta; toda mudança acarreta perdas, todo movimento desestabiliza. É somente no desequilíbrio da acomodação que as conquistas são feitas.

Aíla Sampaio 
  

Fazer escolhas implica possibilidade de erros e certeza de consequências. Não fazê-las  significa não aventurar-se, não correr riscos, não experimentar o sabor acre da vida, mas não provar também do seu doce.

Aíla Sampaio  
 

Há olhares que vão bem além dos olhos, que têm desdobramentos e bifurcações. O teu é assim... e quando cheio de segundas intenções, me faz pensar numa fila indiana com todos os números ordinais do desejo.

Aíla Sampaio


De vez em quando é preciso sair de cena e deixar a vida correr à nossa revelia, para ver se algo de novo acontece...

Aíla Sampaio  

Ainda não foi ontem, talvez nem seja amanhã, mas já me faz sofrer a simples possibilidade de um dia acordares sem vontade de mim...

Aíla Sampaio  


Quando se vive a espera,  todos os caminhos são suspensos; fica-se em satandy by, com os olhos voltados apenas para o que a ansiedade projeta em nossos pensamentos. 
Aíla Sampaio 

Não me falta sutileza para dizer certas coisas, mas nunca sobra arrogância. Falta-me tato para lidar com certos problemas, mas nunca boas intenções para resolvê-los. Persigo um estado de satisfação com o ser e fazer, numa exigência desnecessária, pois  não somos nem nunca seremos mais do que o que podemos ser, nem daremos além daquilo que temos para dar. Extrapolar a própria capacidade de doação é criar a possibilidade de frustrar-se e frustrar os outros.

Aíla Sampaio  


No meu coração não cabe entulho; minha alma não arrastam correntes; minhas mãos não suportam pedras; não pelo tamanho, mas pela textura imcompatível do meu ser com o que é áspero e íngreme; com o que ocupa espaço sem preencher. Descobri muito cedo que espíritos leves só carregam flores... suas mãos de afeto não suportam peso na paisagem de dentro.

Aíla Sampaio 
  

Já acreditei em coelhinho da Páscoa, em papai noel e em duendes. Já tive medo de guará e lobisomen, vivi pesadelos horríveis com monstros que saíam de dentro do travesseiro, quando me excedia nos filmes da TV. Meu olhar crédulo sobre as coisas amadureceu, entendeu que tudo só existia no imaginário... desmistifiquei sem traumas os personagens ruins e os bons da minha infância. Hoje, menina crescida e já bem menos tola, nenhum deles me faz mais medo; o que me apavora são os espectros que povoam a realidade: as pessoas fantasiadas de gente.

Aíla Sampaio 
  

Quando eu era menina, tudo era pra amanhã, tudo podia esperar, sem pressa, pois os acordes do tempo tinham a placidez de um lago. Hoje tudo é pra ontem, tudo é urgente, pois o tempo é intermitente e escorre veloz feito água de rio...
Aíla Sampaio 

Não devemos nos doar sem saber se os nossos atos serão compreendidos com a gratuidade que têm. Até o que fazemos de bom pelas pessoas pode ser visto de modo deturpado.  A interpretação, fatalmente, dependerá do que está dentro do outro, do jeito que ele procederia se estivesse no nosso lugar.
Aíla Sampaio 

Se eu tivesse que escolher aonde morar, não teria dúvida: iria viver
para sempre dentro do teu abraço!
Aíla Sampaio 


Precisamos ter amigos de verdade, pois o que vivemos de bom deve ser exposto, dividido, partilhado, para que confirmemos o ocorrido e tenhamos certeza de que não apenas sonhamos. Viver coisas boas e não contá-las é como se elas não tivessem realmente acontecido.

Aíla Sampaio

sexta-feira, 7 de setembro de 2012


É preciso trocar o disco, ouvir e dizer coisas novas, empurrar o bonde pra frente, fazer a fila andar. É preciso lembrar de não esquecer que água estagnada vira celeiro de doenças; corpo que não se movimenta enguiça; mente preguiçosa faz o cérebro atrofiar. A vida é um bem renovável, por isso, subamos, desçamos, andemos para os lados, mas não fiquemos estáticos no mesmo lugar, esperando que o tempo nos leve para onde ele quiser. Sejamos protagonistas, jamais codjuvantes no enredo da nossa história.
AílaSampaio
Quando te ausentas por muito tempo, finjo que estás morto; mas, se te encontro, de repente, renasces e calas todos os meus ais. O arco-íris que desenhas no céu com o teu sorriso muda o meu rumo, aponta outra estrada; dá cor aos meus dias mais banais, sem que seja preciso uma palavra.

AílaSampaio

Pra mim, um dos piores defeitos do ser humano é a insistência em ruminar o passado. Só posso interpretar isso como falta de presente. A fila tem que andar até para os pensamentos...

AílaSampaio
Estamos conjugando verbos em tempos e modos diferentes, rastejando uma despedida que até pode nem ser o que quermos. Olha bem pra mim e decide que música pretendes dançar. Pode ser que eu tope. Pode ser que não, mas pelo menos saberei o ritmo antes de decidir apertar o 'play' ou o 'eject'. 
AílaSampaio
Vesti um sorriso para receber-te, desarmada como um guerrilheiro rendido, mas vieste como para um combate. Fugi à luta por princípio: no amor, se houver disputa de poder, a batalha já começa perdida.
AílaSampaio

Desinteresso-me fácil pelas coisas muito difíceis. Tamanhos e larguras de que as minhas mãos não dão conta, lonjuras que os meus olhos não alcançam, são apenas motes para a minha poesia. Gosto mesmo é do palpável, do possível, do que se pode prender num abraço.

AílaSampaio


Não disputo poder nem amor. Conquisto-os. 
AílaSampaio
O tempo alonga o nosso pavio, diminui as inseguranças das nossas mãos, coloca menos grau nos espelhos. O tempo diminui o nosso fogo, põe rugas em nossa testa e coloca lentes em nossos olhos. O tempo faz e desfaz sem pedir licença... é generoso e tenebroso. Depende do lado que a gente olhe.
AílaSampaio 
Tu plantaste o deserto em minha alma e agora queres colher flores?
Soterraste a minha esperança de primavera e agora ressurges no outono, para que eu veja que mudaste? Posso até ver, mas jamais volto a enxergar quem um dia jogou areia nos meus olhos.
AílaSampaio 

Talvez um dia nem seja preciso falar: ele já adivinhe. Pode ser também que, de outro modo, ele jamais seja capaz de ler o meu silêncio. Nunca se sabe de que prerrogativas gozam os sentimentos, para que as palavras sejam desnecessárias.
AílaSampaio 



A solidão tem os seus reveses. Ora nos permite ficar deleitados apenas em nossa própria companhia; ora nos preenche com vazios insuportáveis. Ora se mistura à carência, à sensação de abandono, e veste-se de bruxa para nos assombrar; ora habita-nos sem ocupar espaços, permitindo-nos o encontro com a nossa própria essência. Na verdade, solidão só incomoda quando não sabemos o que fazer dela.
AílaSampaio
O que de ti ficou foi cicatriz. Vou cobri-la com muitas sedas para esquecer que doeu. Lua minguante num céu sem estrelas, te vi sol e bebi tua luz. À beira do eclipse, cai nas artimanhas de tuas sutilezas, acreditei loucamente em tudo que me disse o coração – esse inconteste aprendiz . Não eras o sol que me acordava nas manhãs. Fui eu que assim te fiz: impressão colorida em papel couchê; delicadeza irreal, um amor feito de clichês. Preciso das armas de Jorge para vencer a batalha, para esquecer o que não foi vivido; preciso do fogo dos sete raios para quebrar a navalha que me reparte e me dilacera na saudade do que não aconteceu.

AílaSampaio

O que sou é o que sinto: calmaria, temporal, manso lago de cristal ou mar revolto. Não minto, apenas finjo calar, porque, solto, meu pensamento é um labirinto, é só vendaval. Apresso-me para o dia, fecho a armadura, e paro no meio do caminho: pressinto a pedra , a palavra, a rosa , os espinho, e calo. Meu silêncio, amigo, não se engane, é redemoinho.

AílaSampaio


Sou a que se despede sempre que chega; os olhos marejando, a pele em febre qual um vulcão soterrado que nunca explode. Sou a que vive à flor da pele, que nunca deixa o barco à deriva nem sente sede sob o sol causticante. A que não sente medo ante o mar em que navega sem remos; a que vive a derrubar paredes, a atravessar pontes. Sou a que nunca chega a tempo, sempre depois... ou antes.

AílaSampaio